14 Setembro 2009

Notworking

10 Setembro 2009

Rings a bell...?

“When an insecure, malleable, relativistic culture meets a culture that is anchored, confident and strengthened by common doctrines, it is generally the former that changes to suit the latter.”

Christopher Caldwell

02 Setembro 2009

Lembram-se?

In Malawi in southeast Africa, the country's soil became badly depleted by overuse, so the democratic government there adopted a sensible policy of subsidising fertiliser. The nation's hungry farmers were given sacks of it at a third of its real cost – and the country bloomed. Then the World Bank damned this as a "market distortion" and said that if Malawi wanted to keep receiving loans it had to stop them at once. So the subsidies stopped, and the country's crops failed. A famine began – and "infant mortality rose".

That's the dull phrase. What we mean is – lots of babies died, totally needlessly. Three years ago, the Malawian government finally told the World Bank to stick its loans, and subsidized fertiliser again. Now nobody there is starving, and the country is the single biggest exporter of corn to the World Food Programme in southern Africa. When on some rare occasion this is mentioned in the news, they might say in passing, "Infant mortality fell." The phrase that tells the truth is: hundreds of thousands of babies stopped dying.

27 Agosto 2009

Estes Super-Dragões são uns negociadores natos!

Adriano: Super Dragões acusados do espancamento.

... De acordo com a participação do atleta de 30 anos, os agressores avisaram-no que seria bem pior se não se mudasse para o V. Setúbal, clube que estaria interessado nos préstimos do ponta-de-lança.

Fonte próxima de Adriano garantiu ao CM que o jogador sabia do risco que corria – muitas vezes falava na ameaça a Paulo Assunção – e que tinha conhecimento que a SAD do FC Porto tentava acalmar as hostes nos Super Dragões. (...)

Costinha, Paulo Assunção, Co Adriaanse, Luís Fabiano, ou até mesmo o basquetebolista Matt Fish, são alguns dos que contam com episódios de violência nas respectivas passagens pelo FC Porto.

Em 2008 e após três épocas como titular no FC Porto, Paulo Assunção colocou entraves à renovação de novo contrato e recorreu à Lei Webster para rescindir e viajar para o Atl. Madrid. Antes disso, o médio teve um aviso de quatro homens à saída de um treino no Olival. "Disseram-me que se não renovasse, me davam um tiro no joelho", contou.

O técnico Co Adriaanse, em 2006, viu o seu carro ser pontapeado junto ao mesmo Centro de Treinos. Os agressores recorreram a tochas para assustar o holandês.

"Fui ameaçado, mas como tenho um amigo na cidade do Porto, o caso foi pacífico", revelou publicamente Costinha, campeão europeu em 2003/04, que acrescentou: "Luís Fabiano [n.d.r. hoje internacional brasileiro] deixou-se apanhar pelo medo."

Em 2000, o americano Matt Fish terá sido agredido por resistir à rescisão do contrato com o basquetebol do FC Porto.


29 Julho 2009

Europa, 29 de Julho de 2009, pouco depois das 16h

Lisboa


Manchester


Nem tudo é mau em Portugal, nem que seja a mesma coisa de sempre.

01 Julho 2009

Portugal e Grécia em corrida pela Europa

26 Junho 2009

Michael Jackson e os Zombies do Compromisso Portugal

Em que classe é que andas? Parte II

Eu pensava que isto era coisa do passado, posturas de uma democracia imatura.

Gostaria que os "nossos senhores" pudessem deixar de ser maniqueístas, que acreditassem e aceitassem que os "outros" também podem ter ideias positivas. Aparentemente, não passo de um ingénuo. Os "nossos senhores" acham que tudo o que vem deles é ouro, e que tudo o que vem dos demais é merda. Pelo menos é o que a MFL defende, quando diz que "vai romper com todas as soluções adoptadas pelo PS nos sectores da educação, justiça e economia."

Tudo é mau, nada presta, há que recomeçar do zero. Outra vez. Pela milionésima vez. Persistir no erro é estúpido, ignorante e irresponsável. Mas é o melhor que as nossas "elites" conseguem fazer.

Postas de pescada

Entre "erro de casting", "falhanço", "desajustado", "sem perfil", já se ouviu de tudo sobre o Rui Costa enquanto director desportivo do Benfica. O que ainda não se ouviu foi um exemplo concreto para este apedrejar público; ou mesmo uma opinião sobre o que deveria ter sido feito de diferente. Até agora, não passa de uma bordoada fácil de quem se habituou a dizer mal sem se lhe ser pedida a fundamentação das afirmações.

23 Junho 2009

Podem ter a certeza que continua a agradecer...

Um amigo que parte para a Síria

Eles andam no Eufrates à procura de uma fronteira


23.06.2009, Alexandra Lucas Coelho

Quatro arqueólogos, um deles português, vão passar Julho a escavar uma garganta do Eufrates, na Síria. Terá sido a fronteira de vários reinos, desde a cultura suméria ao Império Bizantino.
E milhares de anos depois, homens, mulheres e crianças continuam a viver com o rio. Há uma ex posição de fotografia a documentá-lo no Museu de Arqueologia.

Por Alexandra Lucas Coelho


Francisco Caramelo vai começar a fazer a mala. Agora está em Lisboa, mas no fim da semana estará na Mesopotâmia, ali onde tudo começou - a escrita e o bronze, a agricultura e as cidades.
Único português numa missão ibérico-síria, passará 35 dias a escavar uma garganta do Eufrates em busca da fronteira de um antigo reino.

Mas antes de partir ajudou a montar a exposição de fotografia Eufrates: um rio de histórias, que pode ser vista no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, desde terça-feira.

Os antigos chamavam Mesopotâmia às terras entre o Tigre e o Eufrates. Aí se estabeleceram civilizações como a suméria ou a assíria, cidades-estado como Ur, Uruk, Babilónia, Mari, Ashur ou Nínive. E o rio dos rios era o Eufrates, sinuosa fita de 2800 quilómetros que, pelos mapas de hoje, nasce no Sul da Turquia, desce pelo Nordeste da Síria e atravessa o Iraque até desaguar no Golfo Pérsico.

A parte síria é, pois, a parte do meio, e por isso os investigadores lhe chamam Eufrates Médio. A primeira vez que a arqueologia portuguesa lá pôs o pé foi a primeira vez que Francisco Caramelo fez a mala para começar a escavar esta garganta nunca antes escavada, 70 quilómetros a norte de Deir-ez-Zor, a maior cidade da região. Isso aconteceu em 2005. E de ano para ano a mala aprendeu a ficar mais leve.
Então, à quinta campanha o que é que Francisco leva? "Botas para a escavação e ténis para o trabalho no museu [sírio local]. Calças e coletes com muitos bolsos, porque ando sempre com uma pequena máquina digital e tiro muitas notas em pequenos blocos." Já vai em 15, completamente escritos. "São notas que têm a ver com o trabalho, mas também com o que observo, como uma espécie de diário." Mais? "Uma bússola. Um cantil porque temos de beber litros de água. Artigos de bibliografia. Um computador portátil. Música e leitura pessoal, Eugénio de Andrade, Fernando Pessoa." Só poesia, porque os romances "exigem demasiado tempo à noite" a escavadores exaustos.

Quanto à cabeça, qualquer boné é inútil. "Usamos lenços palestinianos, que são a forma mais eficaz de nos protegermos do calor e do pó. Cobrem as orelhas e o pescoço, e podemos usar uma ponta para tapar a cara quando o vento se levanta."
E com tudo isto enfrenta 50 graus de temperatura, seis dias por semana, coordenado com arqueólogos, arquitectos e topógrafos.
Não é um passeio.
De sábado a quinta, acordam às quatro da manhã em Deir-ez-Zor. Bebem chá e saem às quatro e meia. Uma hora de estrada até à garganta de Halabiyé, conhecida localmente como Hanuqa (estrangulamento), por ser um estrangulamento do rio. Aí, encontram os 12 trabalhadores sírios locais. Trabalham na escavação até às nove e meia, tomam o pequeno-almoço, e voltam a trabalhar até ao meio-dia e meia, altura em que o calor se torna impossível. Voltam à cidade, almoçam, e das quatro às sete, trabalham no museu de Deir-ez-Zor. "Os topógrafos nos computadores a fazerem mapas, os arquitectos a desenharem, os arqueólogos a desenharem peças que antes tiveram de ser lavadas, reconstituídas, coladas." Idealmente deveriam estar na cama às dez, mas às vezes há imprevistos para resolver. E à sexta, folga na escavação e no museu, os arqueólogos preparam a semana.


Francisco Caramelo estudou árabe clássico, e isso tem feito toda a diferença na Síria. "É muito importante para comunicarmos com os trabalhadores na escavação. E foi muito importante para criar uma relação de confiança no início. Aparecíamos como uns intrusos na aldeia quando as pessoas estavam a acordar e era importante perceberem o que andávamos ali a fazer, que éramos amigáveis, que o nosso interesse era respeitar a herança deles. E ao segundo ou terceiro dia já nos vinham oferecer chá, trazer água, já o sorriso era largo."
O pequeno-almoço é "um momento muito feliz" também por isso.
"Combinámos com uma família que mora ali ao pé que às nove e meia nos abrem uma divisão da casa. É muito fresquinha, em adobe, e há tapetes no chão e almofadas. Sentamo-nos descalços e eles trazem-nos o pão típico, com tomate, pepino, às vezes ovos mexidos, uma peça de fruta, chá com muito açúcar. É um banquete. Por vezes está o patriarca da família."

O árabe de Francisco não é o dialecto local, mas chega para perguntar pelos filhos, pelas colheitas, pelos animais, para uma pequena conversa humana, que põe o arqueólogo no presente.

E assim é lá fora, também, entre as mulheres de roupas coloridas e cara destapada que fazem pão, que ordenham vacas, que cuidam dos campos de milho, de algodão, de beringela; entre as crianças, sempre muitas, que mergulham, que remam, que tocam cabras e ovelhas nas margens do Eufrates como os sumérios nos relevos de há cinco mil anos.

"O rio é a sobrevivência, é a irrigação, mas também é a diversão, as crianças vão rio abaixo a boiar", diz Francisco. É esta continuidade que se vê nas fotografias do espanhol Eloy Taboada agora expostas no Museu de Arqueologia. O que não se vê é que o rio já não é um canal de transporte: "Na antiguidade era usado para a circulação de pessoas, de mercadorias e de ideias."
Pelo Eufrates vinha madeira, pedra, estanho para endurecer o cobre e daí resultar o bronze, metal das armas e dos utensílios que marca uma nova era. Tão longe chegava o comércio que o estanho vinha até do Afeganistão, tal como o lápis-lazuli com que se esculpiam os olhos das esculturas.
São assim, de lápis-lazuli, os expressivos olhos de Ebih Il, um sumério esculpido em alabastro há 4400 anos, que hoje é uma das jóias do Museu do Louvre. Ebih Il tem a cabeça rapada, uma barba pontiaguda, o tronco nu e a saia então usada por homens e mulheres, feita de pele e lã de ovelha. O olhar é radioso e as mãos estão postas em oração, provavelmente à deusa Ishtar, porque foi no Templo de Ishtar, deusa da fertilidade, que os arqueólogos o encontraram.

Sabemos quem é este homem porque na pedra está gravado: Ebih Il, Intendente de Mari.

Fundada nos princípios do terceiro milénio a.C. e destruída mais de mil anos depois pelo rei babilónio Hamurabi, a grande cidade de Mari foi o porto mais ocidental da cultura suméria, e controlava o comércio entre o Norte e o Sul do Eufrates, justamente por estar a meio. Os arqueólogos que a estudam há muito pensam que a sua fronteira Sul corresponderia à actual fronteira da Síria com o Iraque, mas o Norte é uma incógnita.
E é essa a missão da equipa em que está Francisco Caramelo.
"A nossa hipótese é que a fronteira Norte de Mari estaria nesta garganta que estamos a escavar", diz Juan-Luis Montero, o espanhol co-director do projecto, que veio a Lisboa montar a exposição. "Esta garganta é um ponto-chave de controlo. E o que estamos a ver é que foi uma fronteira não só de Mari, mas de outras épocas, até ao período bizantino. Quase quatro mil anos."

Mari foi escavada em 1933 por arqueólogos franceses, no tempo em que a França era a potência colonial e a arqueologia era um saque colonial. E depois, ao longo de décadas, foi extensamente estudada. Mas 70 quilómetros acima de Deir-ez-Zor ninguém escavou.

Até que, em 2004, as autoridades arqueológicas da Síria assinaram um acordo com a Universidade da Corunha para investigar a zona. Juan-Luis Montero e o sírio Shaker al-Shbib são os arqueólogos directores do projecto. E Francisco Caramelo e o seu colega espanhol Ignacio Márquez representam os parceiros associados - Centro de História de Além-Mar (Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores) e Consejo Superior de Investigaciones Científicas (Madrid). O contributo financeiro português tem sido de 2500 euros, e este ano andará entre 3500 e 4000 euros, por causa de um colóquio e da actual exposição, explica o director do CHAM, João Paulo Oliveira e Costa.

O arco temporal do projecto é imenso, da aparição da escrita, há cinco mil anos, à chegada do islão, no século VII. Por exemplo, nas três primeiras campanhas, ao escavarem um ponto chamado Tall-as-Sin, os arqueólogos chegaram a uma provável fortaleza bizantina, com centenas de sepulturas, cruzes gravadas e inscrições em grego. Ou seja, provas de ocupação nos primeiros séculos depois de Cristo.

Em 2008, a equipa concentrou-se num ponto mesmo dentro da garganta, Tall Qabr Abu al Atiq. Encontrou cerâmica de 2600 a.C. (a chamada Idade do Bronze) e do século XIII a.C. (o chamado período médio dos assírios), quando a grande cidade de Mari já não existia.

Portanto, depois de ter sido fronteira de Mari e antes de ter sido fronteira bizantina, esta garganta "pode ter sido uma fronteira assíria, do rei Tukulti-Ninurta, que estava baseado em Ashur, na margem direita do rio Tigre", diz Francisco.

Como se chamava esse enclave assírio? Quando foi fundado? Quem o destruiu? É para saber isto que Francisco Caramelo vai fazer a mala. E cada caco de cerâmica encontrado será para o Museu de Deir-ez-Zor. "Tudo é para ficar."

Lá vai o tempo em que Ebih Il, o Intendente de Mari, foi parar ao Louvre.



21 Junho 2009

O fim do Mega Smile

Hoje tive de render-me aos factos: fui obrigado a mudar o meu tarifário da TMN para "Leve", o regime sem carregamentos obrigatórios. Tarifário de emigrante. Tarifário de exilado. Sniff.

20 Junho 2009

O livro?

Valsa de um Homem Carente


A ver aqui, retirado do 31 da Armada

13 Junho 2009

Radagast no UK

O Pulido Valente já nem de Inglaterra sabe

08 Junho 2009

As sondagens enganam-se sempre quanto ao CDS porque as pessoas têm vergonha de dizer que votam neles.

05 Junho 2009

O Pulido Valente gosta de coisas populares

04 Junho 2009

Olha, e que tal se fosses governar um bocadinho?

Sócrates tem andado a reboque, melhor, a rebocar Vital Moreira.

Hoje passou o dia com ele no Porto, vai passar a noite em Matosinhos a seu lado, e amanhã almoça em sua companhia.

Querida Maria, acha que eu, como cidadão de Portugal, deveria ter ciúmes do Avô Cantigas?

29 Maio 2009

O Pulido Valente hoje foi mais do que o Pulido Valente

24 Maio 2009

Epá, isto é fatal,

... , concordar com o Carvalho da Silva?

«O líder sindical frisou que só se fala do custo dos trabalhadores e nunca se refere o resto, ou seja, os custos com banca, telecomunicações ou energia.

Não interessa reduzir custos em áreas como as telecomunicações ou energia porque eles [os empresários] também são accionistas destes sectores e ganham com isso». Por isso, «há que sacrificar os trabalhadores».


Porco a andar de bicicleta

19 Maio 2009

My britishness

"I pledge allegiance to deep-fried Mars bars, cold doner kebabs, and girls who wear mini-skirts in sub-zero temperatures. I pledge allegiance to the NHS, the BBC, and M&S. I pledge allegiance to Shakespeare and to the belief that "there are more things on heaven and earth than are dreamed of in your philosophy, Horatio".

"I pledge allegiance to Radio 4 documentaries about the history of drinking water, told in six parts. I pledge allegiance to George Orwell, George Formby, George Eliot, and George Michael. I pledge allegiance to the Notting Hill Carnival, the Edinburgh Festival, and the people who – for no reason at all – wander around Glastonbury dressed as giant pigeons."

17 Maio 2009

Não é melhor no original?

O meu horóscopo no i:

A sensação de desespero invade o nativo de Balança. Procure conforto na poesia. Tente os ingleses. Há uma boa tradução de Philip Larkin da Cotovia.

16 Maio 2009

Em que classe é que andas?


Ouvi hoje o "notável" socialista António Arnaut dizer que Lopes da Mota não pode ter pressionado ninguém porque “um magistrado não é pressionável"; mais, se houve alguma acção menos correcta foi a dos procuradores que investigam o processo Freeport, porque fizeram "queixinhas" (não vi este termos citado em nenhum jornal mas eu ouvi-o). Se bem percebi a lógica de Arnout, se um magistrado não é pressionável não há pressão. Porém, se não há pressão não pode haver "queixinhas", certo? Ou serão as queixinhas relativas ao roubo de berlindes?

Edmundo Pedro diz que há medo, mas que, afinal, não há.
António Costa refere que o nome de José Sócrates não está envolvido com o caso Freeport de nenhum modo (vd "Quadratura do Círculo).
António Arnout alega que não há pressões mas que se as houvesse a culpa seria dos mariquinhas-pé-de-salsa e não de quem (não) pressiona.

A estrutura socialista criou, vai criando, uma novilíngua, e fala-a num espaço público com descaro. Não podemos simplesmente assobiar para o lado. Um dia podemos ser nós os afectados por estas realidades paralelas.

13 Maio 2009

Ora, golo!

23 Abril 2009

Quo vadis codex? - Génese e percurso histórico

Tempos houve que me senti uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves. Não querendo candidatar-me à Câmara de Lisboa, optei por escrever sobre o presente e o futuro do livro. Aqui irei, gradualmente, depositar as minhas previsões. No final poderão encontrar os número do totoloto.


O livro está em mudança. Uma mudança física e conceptual, assente em novos pressupostos e nas realidades onde estamos inseridos. O que virá a ser o livro? Será algo diferente, ao qual numa centena de anos só reconheceremos o nome? E qual a rapidez com que se concluirá o ciclo no qual vivemos?


O «donde vimos e para onde vamos», que nos ocorre em múltiplas circunstâncias, aplica-se também a este objecto, e conceito, com o qual muitos se habituaram a conviver intimamente, o livro.



A necessidade burocrática de um registo escrito veio a dar origem às criações menos previsíveis, aos mundos mais improváveis, a um dos prazeres mais saborosos e a uma nova mundivisão. Tudo isto podemos encontrar nos diversos livros que hoje se encontram à nossa disposição; tal não invalida que o crescimento exponencial do conhecimento científico, de que hoje beneficiamos se deva, em boa parte, à disciplina proporcionada pela escrita.


Como Hillesund nos recorda, a passagem dos textos orais para a escrita visava precisamente torná-los mais duráveis, portáveis e exactos, contribuindo para que se ultrapassassem as barreiras espaciais e temporais (entre outras coisas as comunicações deixaram de ter de ser obrigatoriamente presenciais), e foi nesse momento que a comunicação verbal se tornou essencialmente visual. A própria estrutura mental da sociedade que é alterada, pelo que o impacto de algo que damos hoje por adquirido, a escrita, não é de todo despiciendo.


O aparecimento da escrita estimula uma reestruturação mental. É certo que num primeiro momento isso se restringe a uma reduzida minoria mas é um fenómeno que se alargará com o passar do tempo. Mais à frente veremos como a tipografia permitiria amplificar este fenómeno.


Por necessidades de memorização a comunicação pré-escrita era prolixa, redundante e agregativa. A escrita disciplinou o pensamento, tornando-o mais sintético e analítico, ainda que mais conservador.


Se o caminho até ao livro que conhecemos se iniciou com a criação de signos, a questão do suporte ocorre quase simultaneamente. Ao início, o ser humano adaptou-se aos materiais que a natureza lhe proporcionava, mas não tardou a criar e adaptar os que mais lhe convinha.


Tudo o que aceita uma fixação visual foi utilizado como suporte para a escrita. Contudo, nunca cessou a busca por aprimorar esse elemento fundamental para a leitura, de modo a fixar de modo mais duradouro o que se pretendia registar e facilitar o seu transporte. Esse tem sido o caminho, facilitar o manuseio, o transporte, e o próprio acesso. Assim, das tabuinhas mesopotâmicas passamos para os rolos em papiro egípcios, e destes para os codex. No mundo ocidental, entre toda uma panóplia de suportes (nunca houve um verdadeiro monopólio), o papiro assume um predomínio que tardará a perder, e que se prolongará até c.400 d.C. A sua durabilidade no Egipto, terra seca, não se estendia a outras paragens e, gradualmente, o pergaminho foi ganhando terreno, tornando-se dominante com a ascensão do codex do início do período medieval. A forma antecessora do livro tal como o conhecemos foi o rolo, difícil de manusear, ainda que fácil de transportar. Convertido em codex, o manuseio torna-se mais fácil, e a procura de informação avulsa, assim como a elaboração de notas que personalizam e enriquecem a obra, são facilitadas.


Com o passar dos tempos, o suporte, a forma e o modo de produção foram-se alterando gradualmente. O âmbito alargado com que se discute o livro nos dias de hoje, no modo de produção do texto, o tipo de suporte, e até a sua essência, é inédito. As transições deram-se sempre gradualmente, o oposto do que se passa hoje, em que tudo é posto em causa ao mesmo tempo.


O outro grande momento na história dá-se com a imprensa de Gutenberg, um verdadeiro agente de mudança, que libertando o livro da cópia manuscrita vai estimular a circulação de textos. A estrutura mantém-se igual à do manuscrito mais tardio, e de ele bebe as referências que o enobrecem ou credibilizam. O modo de produção altera-se com referentes muito próximos ao do estádio anterior, reproduzindo-se o que já tinha sido formalmente estabelecido mais de um milénio antes.


A impressão diminui a fragilidade do livro, cujos exemplares, até então, eram muitas vezes únicos, e vem estimular uma maior fixação da linguagem e o desenvolvimento do método científico. Com este tipo de solidificação em série começa a tecer-se uma unidade entre objecto, autor e obra.


O ciclo textual muda, separando-se a escrita da produção, e alargando-se a penetração do livro na sociedade. O ciclo de um texto escrito conhece a escrita, o conservar e a leitura. E quando escrevemos em papel estamos a conservá-lo, a acervá-lo, disponibilizando-o para os demais. O novo livro, impresso, converte este conceito numa tecnologia de leitura altamente sofisticada.


No século xviii, com livros mais portáteis e mais económicos, generaliza-se a leitura solitária. Contudo, isto regista-se em paralelo com a disseminação da Bíblia, fundamental para o crescer exponencial da literacia (nomeadamente nos países protestantes), cuja leitura era frequentemente um acontecimento familiar, em que a leitura intensiva se manifestava.


Um outro fenómeno é o crescimento da imprensa, estimulada pelo ensino académico e pelo reforçar das línguas vernaculares. A imprensa criou um dinamismo muito próprio, dando um nova velocidade à comunicação e normalizando a escrita graças aos jornais que saíam em grande quantidade das tipografias europeias.


Mais tarde, a máquina de escrever funcionará como um estádio intermédio entre a imprensa acessível à leitura de qualquer um e a quase total autonomia da era informática. Cada um pode prensar os seus pensamentos e ideias. Uma certa autonomia «de imprensa» começou por aí, mas a representação e a armazenagem continuavam no mesmo suporte. Essa tipografia pessoal, e o papel químico quando aplicado, fizeram de nós impressores em pequena escala, muitas vezes para consumo próprio. Cremos, porém, que terá sido importante no caminho para o sentimento de autonomia, de auto-importância da dignidade da nossa escrita. A digitalização, mais tarde, irá fazer a herege separação entre a armazenagem e a representação visual.


Escrever usando ferramentas digitais é hoje largamente predominante, e isto tem consequências na forma de pensar as palavras. Mesmo que a principal forma de chegar até às pessoas passe pelo livro impresso, que confere uma dignidade desconhecida num pdf.


Não é à toa que se fala da civilização do livro. A este devemos boa parte da forma como raciocinamos; porém, também nos transmite emoções, chegando ainda a tornar-se alvo de culto, no objecto da fé de increus. Uma fé que formou mentes e espíritos, e cuja crença torna mais difícil encarar o desaparecimento do livro tal como o conhecemos.


A forma como se escreve, e o suporte onde se regista a escrita, estão diferentes; com várias diferenças a surgirem quase ao mesmo tempo. Há uma multiplicidade de mudanças a acontecer em diferentes locais, num aparente caos evolutivo que se vai reunindo até se tornar noutra coisa. A invisibilidade dessas micro-evoluções dispersas dá a muitos saltos tecnológicos a aparência de um queimar de etapas.


Falamos de uma revolução que abana todas a estruturas, mas também a própria arquitectura da sociedade livresca tal como a conhecemos. O texto electrónico vem revolucionar todos os campos da edição «…é, ao mesmo tempo, uma revolução da técnica de produção e reprodução dos textos, uma revolução no suporte da escrita e uma revolução das práticas de leitura.» (Furtado).


Esse espírito implantou-se mais rapidamente na imprensa, onde podemos ver já a funcionar o que potencia a ruptura com o nosso pensamento. Somos bombardeados com conhecimentos fragmentados, proto-democratizados, verborreicos. O escrito quotidianiza-se, as pessoas lêem; as que não lêem, ouvem e vêem ler com mais assiduidade. O mundo parece acessível, mesmo que na verdade não o seja. As pessoas discutem mais tempo, mais longe e acompanhadas por mais pessoas. Conhece-se e cria-se a ilusão de que se conhece. Divulgam-se viagens, histórias, pensamentos, mas também mulheres barbadas e homens bárbaros. Eis-nos no mundo moderno.

16 Abril 2009

Alívio...


...é o nome de uma gama de componentes de bicicleta da Shimano, mas também o que sinto agora, depois de entregar por fim os índices da Peregrinação! Foi cá um projecto... começou na primavera de 2006! Acaba assim uma época, a época em que sempre que me perguntavam o que é que andava a fazer, eu tinha de começar por dizer: "bem, ainda tenho pendentes os índices do Mendes Pinto".
*Suspiro*

03 Abril 2009

Dangerous Cornwall


Fresh from the BBC!!

"Eileen Bishop, 87, from Perranporth, and her husband Anthony were on their way to church when, he said, she "disappeared off the radar".
Officers later found her heading along the A3075 towards Newquay.
A police community support officer (PCSO) rode the scooter back and said it appeared to be working correctly.
Mr Bishop said the incident began when he and his wife set off for St Michael's church.
He said the scooter, which "hadn't been going that well", was set to three-quarters speed.
"Suddenly she passed me at full tilt," Mr Bishop said.
"I shouted after her but she is a bit deaf. I couldn't chase her as I've had a triple heart bypass.
"She just disappeared off the radar."
Mr Bishop said he and a neighbour searched for his wife and then went to the police station to report her missing.
"I was just about in tears," he said.
Officers found Mrs Bishop after a motorist reported a mobility scooter "swerving" across the road near Pendown Cross, five miles away.
Mrs Bishop said she was not sure how she got separated from her husband.
"I just lost him. I was half asleep to tell you the truth," she explained.
It took PCSO Michael Ginnelly an hour to drive the scooter back to Perranporth.
"I think Mrs Bishop just gripped the controls and went too fast and held on for dear life," he told BBC News."

Desculpem lá voltar ao blogue com um copypaste, mas como vou passar cá a Páscoa, assim já vêem como é excitante a vida na Britain. O G20? Nem reparei.



13 Março 2009

E se fosses tu a bater lá com os costados?

09 Março 2009

A falta que não faz um caixão...

However, ants clearly are fundamentally different from us. A whimsical example concerns the work of ant morticians, which recognize ant corpses purely on the basis of the presence of a product of decomposition called oleic acid. When researchers daub live ants with the acid, they are promptly carried off to the ant cemetery by the undertakers, despite the fact that they are alive and kicking. Indeed, unless they clean themselves very thoroughly they are repeatedly dragged to the mortuary, despite showing every other sign of life.

07 Março 2009

Closed Zone Yoni Goodman

01 Março 2009

Depois de Pat, o Carteiro e Bob, o Construtor...


Toninho, o Torneiro Mecânico

22 Fevereiro 2009

Jogo de Suricatas

Quique Florez tem a sapiência táctica de um bando de Suricatas a fugir de um predador. Ao fim de nove meses ainda não sabe o que fazer com os jogadores no campo; por isso, refugia-se no seu medinho salazarento e inventa 4 defesas-centrais em campo (não ontem mas ainda não há muito tempo). Tem uma estratégia ideal para o Getafe ou o Trofense, mas que não funciona bem no Valência ou no Benfica.


Eliminado de tudo o resto, o Benfica é o único dos três grandes que só compete no Campeonato (esqueçamos a taça das reservas da Liga).Ao contrário do líder de sempre, que está em todo o lado. Líder que também teve de reconstruir a equipa. A diferença é que o Porto foi buscar o Fernando, o Guarin e o Tomas Costa, e o Benfica contratou gente como Suazo, o Aimar e o Reyes.


E essa de abdicar em quase todos os jogos do jogador que realmente marca golos...


Se é para perder mais vale perder a tentar jogar futebol.


Cajuda ao poder!

20 Fevereiro 2009

L'Animateur - The Animator - Der Trickzeichner

15 Fevereiro 2009

Lá Fora / Jesus Never Fails


Jesus Never Fails
António Júlio Duarte em Goa



Ambas as exposições no museu da electricidade. Ambas valem a pena. Principalmente a Lá Fora.

Tem esculturas musicais e esculturas luminárias, quadros, desenhos, objectos, vídeos. The all deal.

Conceituados (Amadeo, Rego, Pomar, Vieira da Silva), e por conceituar (João Ricardo Oliveira, José Carlos Teixeira). Abundam jogos de sombras e sobreposições. Tudo não é bem aquilo. E nisso repetem-se as definições. Males de ter uma só pessoa escrever textos para tantos artistas. Todos estes parecem interessados em fragmentar e ser fragmentados, ser multíplices e multiplicar, descontextualizar e recontextualizar.

Gosto dos candeeiros de Jorge Campos e dos mapas de Rui Calçada Bastos. São mapas Mr.Dudianos, em que se funde Paris, Budapeste, Berlim e Lisboa.

As fotografias são as possíveis com um telemóvel,




Lá Fora / Jorge Campos



Lá Fora / Rui Calçada Bastos
A cidade de Dr. Dude


Lá Fora / Rui Calçada Bastos
A cidade de Dr. Dude


Amadeo



Vieira da Silva com vista para Dacosta