02 maio 2010

De Nanking:1937 ao Ruhr:2009.


Ontem fui ver dois filmes no Indie.
O primeiro foi o City of Life and Death, um filme chinês sobre a conquista da capital chinesa pelo exército japonês em Dezembro de 1937 e a subsequente degradação da população chinesa encurralada no meio da guerra. Grande parte do argumento é baseado no livro escrito pela investigadora Iris Chang. O episódio é indescritível, o filme é brutal, brutal. Todos os chineses prisioneiros de guerra foram mortos pelas tropas. Quase TODAS a mulheres chinesas foram violadas, degradadas e no fim mortas, perante o desespero de alguns estrangeiros, que nada puderam fazer. No final, terão morrido de 200.000 a 400.000 pessoas. Como é que o ser humano chega a este ponto, e continua a fazer estas coisas, século após século?
Saí zonza do filme, em direcção ao seguinte. Estava tão zonza que fui parar ao cinema errado, à hora errada. Só dei por isso 5 min antes da projecção e lá fui a correr.
O filme do James Benning é igualmente perturbante. Sobretudo a última parte, em que durante mais ou menos 45 minutos estamos a ver a torre da fotografia a lançar periodicamente fumo para a atmosfera, perturbando e transformando as formas das nuvens. De início não percebemos bem o que é, se é mesmo uma torre. A sensação de angústia aumenta quando percebemos que o fumo sai não só pelo topo, como por todos os lados e ficamos com a sensação de que tudo é engolido por aquele fumo, até nós. E a comparação com as torres do 11 de Setembro surge imediatamente.
Ambos os filmes observam, registam e documentam. E nós saímos atordoados.

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