07 dezembro 2007

O falso pessimista

Pulido Valente (PV) diz que não é pessimista. É um bocadinho como o falso lento (tipo Pedro Barbosa). O único problema nestes epítetos é o «falso». Mas não faz mal, a sério que não. O Pedro Barbosa era agradável de se ver jogar e o Pulido Valente é...bem, talvez agradável não seja o termo, estimulante, vá lá, de se ser lido. Porém...porém, o PV não é verdadeiramente um pessimista, antes sim um muito elaborado «bota-abaixista». Não é o típico «bota-abaixista», porque esse, em geral, tem bigode e ganha a vida a transportar pessoas de um lado para o outro, desrespeitando duas regras de trânsito por cada metro de estrada. Pulido Valente é muito mais que isso. É muito inteligente (ou pelo menos as pessoas têm medo de dizer o contrário), escreve bem e é entretido deitar os olhos pelas linhas que redige. Tem a coragem de dizer coisas que muitos pensamos (e também dizemos, mas só aos amigos).

O problema não é que ele diga coisas como: «só neste país»; ou insinue que Portugal é um país de 3º mundo várias vezes por semana. Isso todos fazem. O ponto é que o PV diz mal de virtualmente tudo. Há artigos sobre a temperatura da água em que diz que a água fria faz mal aos ossos e deveria ser banida, que os que gostam de água quente devem ser cretinos e os que preferem água morna são mariquinhas. Tudo besuntado com a insinuação de que no estrangeiro (o maior país do mundo) é que é. Ele sabe porque já lá esteve. Esta deve ter-lhe ficado do tempo em que ser estrangeirado, pela sua raridade, era motivo de estatuto. Já não é, e alguém se esqueceu de lhe dizer.

Pulido Valente tem a sua pena apontada a tudo o que mexe, a tudo o seja minimamente aprazível (a não ser que seja um charuto) ou simpático (ou horrível, na verdade pouco importa). É pena, porque tem razão montes de vezes. Contudo, a sua fama impede as pessoas de aceitarem a realidade apenas porque foi ele que a verbalizou. É por isso que o Miguel Sousa Tavares pode passar incólume à aturada análise do seu último livro (ah, foi o PV que disse que era mau? Então até pode ser que seja genial. Mas, pelo sim pelo não, deixem-me enviar-lhe um SMS dizendo que lhe vou partir as rótulas). E isso não lhe perdoo; se o PV quer que uma obra seja vilipendiada em público deve optar por não a criticar. Até porque, se perceber tanto da história da I República como de futebol, o MST até pode ter dito que o Afonso Costa matou o Buiça. See if I care.

1 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Com este ataque pessoal ao MST, deliberadamente ofensivo e a transpirar fel,como é seu hábito, VPV entra em contradição. Ao tranformar a crítica literária numa vendetta, num ajuste de contas entre comadres desavindas, VPV coloca o debate intelectual num nível rasteiro, ele que tanto gosta de vituperar a indigência da intelligentsia nativa.
Sir H. ( um confesso, mas não acrítico, admirador de VPV )

09 dezembro, 2007 22:45  

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