13 janeiro 2008

O governo SimCity

Epá, eu pouco percebo de juizadas e comarcas; de comboios e velocidades; de pontes e aeroportos. De vez em quando leio umas coisas e coço a cabeça (sem ser para caçar piolhos).

Pensava que faltavam espaços e funcionários no sector da justiça, para agilizar os processos que temos pendentes aos milhares. Parece-me que eliminar metade das comarcas não irá contribuir para uma justiça mais diligente e um melhor estado de direito. Parece-me, mas que sei eu? Mas não deixa de ter piada começar-se uma obra orçada em três milhões de euros que não irá servir para nada. Vai-se construir um novo tribunal em Cabeceiras de Basto, comarca que para o ano vai ser extinta. É um lego um bocado caro; ou então, alguém não prestou atenção e vai haver um, dois ou mais recuos. Não faz mal. O dinheiro é dos contribuintes, ou seja, de ninguém. Governação à SimCity I.

A ligação de TGV entre Lisboa e o Porto parece que vai em frente. Vão-se gastar dez mil milhões de euros (sete mil e quinhentos + derrapagens) para se ganhar 20m na ligação entre as cidades. Eh lá, mas que grande impulso para a nossa economia! Já alguém, há uns anos, comprou uns vagões pendulares para umas ferrovias que não estavam preparadas para tais comboios. Em vez de se preparem as ferrovias para essas composições faz-se um novo projecto, de impacto residual para a economia portuguesa mas muito benéfica para os construtores e donos de terrenos. A obra pouco serve a Portugal, espoliam-se os contribuintes (ou seja, ninguém), dá-se dinheiro aos amigos, ficamos com um lego gigante no CV e ainda nos arranjam um belo cargo de administrador (muito bem pago) uns anos depois. Governação à SimCity II.

O Ferreira do Amaral já está muito à vossa frente. Já vimos isto antes. Ninguém faz nada e continua-se a votar em quem defende este estado das coisas. O Ferreira do Amaral, há 13 anos, patrocinou um decreto-lei que oferecia à Lusoponte o exclusivo das travessias do Tejo a sul de Vila Franca. Deste modo, os contribuintes (i.e., ninguém) terão de pagar uma indemnização à Lusoponte por cada carro que atravesse o rio pela nova ponte! Mas a que propósito!? Apenas porque a empresa prometeu a um então governante uns trocos valentes? Não é evidente que o tipo, enquanto no servidor público, ofereceu ao seu futuro empregador esta dívida do estado? Em vez de exigir este dinheiro dos contribuintes, o tipo não deveria estar a ser julgado por peculato? Quão mais evidente necessita de ser o tráfico de influências? Governação à SimCity III.

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